Vestibulares especiais: temas médicos

1.   PUCCAMP – VESTIBULAR 2013

 

            Leia o editorial abaixo procurando apreender o tema nele desenvolvido. Em seguida, elabore uma dissertação, na qual você exporá, de modo claro e coerente, suas ideias acerca desse tema.

 

             O problema da obesidade infantil é grave e não tem solução fácil.

            O Brasil segue a mesma rota epidêmica dos EUA. Lá, demógrafos chegam a prever que, devido às doenças associadas ao excesso de peso, as gerações futuras viverão menos anos do que as de seus pais.

            Salvo se uma droga milagrosa for descoberta, a melhor forma de enfrentar o problema é uma combinação de menor ingestão de calorias com maior dispêndio energético (atividade física). Como ambas contrariam nossos apetites naturais, um incentivo do poder público pode ser útil.

            Não se trata de promover o paternalismo do Estado. O mundo moderno oferece ferramentas tributárias e mercadológicas para que autoridades possam atuar de forma eficaz e não autoritária.

            Os mais óbvios instrumentos são os impostos. Em vez de concentrar a atenção sobre medidas de alcance na melhor das hipóteses limitado, como restrições à publicidade para o público infantil (decisões de compra costumam caber aos pais), seria melhor elaborar uma mescla de incentivos e gravames* que favoreça a alimentação equilibrada e deixar a propaganda na esfera da autorregulamentação.

            Vilões nutricionais, como refrigerantes e salgadinhos industrializados, em vez de banidos, como sugerem os mais afoitos, deveriam ter a carga de impostos majorada. Alimentos saudáveis, como frutas e legumes, poderiam ser agraciados com subvenções.

            É possível até mesmo, por essa via, tornar um pouco mais benignos produtos hoje insalubres. Bastaria fixar as alíquotas de acordo com a quantidade de nutrientes deletérios, como sódio e gorduras saturadas, presente no alimento.

            A abordagem fiscal não obrigaria ninguém a fazer o que não queira. Ao confiar na autonomia do cidadão e na autorregulamentação da indústria, tem mais chance de dar certo. E ainda dá aos fabricantes a oportunidade de veicular peças publicitárias que enfatizem a preocupação com a qualidade nutricional de seus produtos, o que contribuiria para fomentar a cultura da alimentação saudável.

 

*gravames − impostos pesados

(Folha de S.Paulo, A2 opinião, sexta-feira, 10 de agosto de 2012) 

2. FACISB (BARRETOS/SP) - VESTIBULAR DE INVERNO 2012

 

Leia com atenção os excertos abaixo retirados de votos de ministros do STF por ocasião de decisão recente daquele órgão relativa à permissão para interrupção da gravidez em casos de anecefalia.

 

  1. “Estamos discutindo o direito à vida, à liberdade e à responsabilidade [...] todas as opções, mesmo essa da interrupção da gravidez, são de dor”. (Min. Carmen Lucia)

  2. “Não se pode impor pena capital ao feto anencefálico, reduzindo-o à condição de lixo ou de alguma coisa imprestável”. (Min. Cézar Peluso)

  3. “Se os homens engravidassem, a interrupção da gravidez de anencéfalo estaria autorizada desde sempre” (Min. Ayres Britto)

  4. “Decisão favorável abrirá as portas para a interrupção da gravidez de inúmeros embriões portadores de doenças que, de algum modo, levem ao encurtamento da vida”. (Min. Ricardo Lewandowski)

 

Imagine que um médico recém-formado, clinicado numa cidade de recursos parcos, fosse procurado por uma paciente grávida, que tivesse com ele uma relação de confiança suficiente para solicitar sua opinião e sugestão de encaminhamento para um eventual aborto de feto anencéfalo.

Considere que a paciente em questão tenha o seguinte perfil:

40 anos, três filhos, trabalhadora rural, com letramento básico, de família conservadora e altamente religiosa, angustiada com a situação que vive e razoavelmente consciente da ausência de perspectivas para o bebê.

A partir dessa situação hipotética, redija um texto dissertativo-argumentativo em que você exponha como agiria em relação à apreensão e às necessidades da paciente. Que explicações daria? O que proporia? Que sugestões e suporte ofereceria? Quais são suas convicções sobre a questão? 

 

Na avaliação do texto elaborado, não se levará em conta a posição assumida pelo candidato, mas sim sua capacidade de argumentação e relevância nos argumentos usados. Não é necessário dar título à redação.

 

 

3.   ANHEMBI MORUMBI – VESTIBULAR 2011

 

Texto I (Fragmento) – Ética na Cirurgia Plástica

O sonho de fazer uma cirurgia plástica pode-se transformar em verdadeiro pesadelo quando o paciente cai nas mãos de um cirurgião não especializado e, principalmente, sem ética profissional. Diante disso, o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica do Rio de Janeiro (SBCP-RJ), Sérgio Levy, alerta a população para os cuidados na hora de se submeter a um procedimento, pois, cada vez mais, profissionais de outras áreas estão atuando como cirurgiões plásticos, sem obterem especialização.

As propagandas enganosas também são apontadas pelo cirurgião plástico como um crime, pois prometem resultados absurdos. “Há limites para uma cirurgia e o bom profissional não pode prometer milagres”, afirma Levy (...)

Para reverter esse quadro cada vez mais comum, a SBCP-RJ iniciou uma cruzada contra os maus profissionais que representam risco à população e já consultou o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) sobre as medidas cabíveis nesses diversos casos. Além disso, Levy está estudando a possibilidade de uma campanha de conscientização, orientando a população sobre os riscos que corre ao se submeter a procedimentos com pessoas que, em muitos casos, sequer são médicos. (...)

 

Texto II (Fragmento)

O corpo perfeito pressupõe a existência de um modelo ideal, ao qual o ser humano tenta tornar-se parecido. O conceito de “corpo perfeito” e “belo” não é padrão universal, apesar dos diversos estudos antropométricos que tendem a valorizar a simetria das formas. No entanto, vemos que essa ideia pode ser bastante subjetiva em algumas pessoas, variando de acordo com a cultura, o povo, costumes e épocas. Isso explica o primeiro ponto ético que o cirurgião plástico deve compreender, ou seja, o respeito diante do desejo e concepção individual de cada paciente.

 

Os Textos I e II referem-se a assuntos amplamente discutidos, na atualidade, em diversas mídias: os valores e a ética profissional dos cirurgiões plásticos e a tentativa de perfeição desmedida, incentivada até mesmo pelos próprios veículos de comunicação. Considerando as ideias apresentadas nos fragmentos acima, redija um texto dissertativo-argumentativo em que se defenda que os critérios de saúde, ética e beleza devem estar interligados a favor da plenitude do ser humano e de seus direitos. O texto construído deve apresentar de 25 a 30 linhas, contendo argumentos (ao menos dois) que fundamentem a sua tese. Use, para a escritura do seu texto, o registro formal da língua. Os fragmentos transcritos servem, apenas, como base para uma reflexão sobre o tema proposto, não podendo ser transcrita qualquer passagem dos mesmos. Dê um título à sua redação.

 

4. FAMECA (Catanduva) – VESTIBULAR 2011

 

Leia a coletânea de textos para subsidiar sua dissertação.

 

TEXTO I

              O juramento de Hipócrates está tão antiquado que soa ridículo ouvir jovens recém-formados repetirem-no feito papagaios. Repetir o juramento escrito por ele sem fazer menção ao papel do médico na preservação da saúde e na prevenção de doenças na comunidade é fazer vistas grossas à responsabilidade social inerente à profissão.

              Por outro lado, aos olhos da sociedade, a mera existência de um juramento solene dá a impressão de que somos sacerdotes. Por causa desse pretenso sacerdócio, os médicos se submetem ao absurdo medieval dos plantões de 24 horas, seguidos por mais 12 horas de trabalho continuado no dia seguinte, em claro desprezo à própria saúde e colocando em risco a dos doentes atendidos nesses momentos de cansaço extremo.

              O exercício da medicina envolve a arte de ouvir as pessoas, de observá-las, de examiná-las, interpretar-lhes as palavras e de discutir com elas as opções mais adequadas. O tempo dos que impunham suas condutas sem dar explicações, em receituários cheios de garranchos, já passou e não voltará.

              Talvez a aquisição mais importante da maturidade profissional seja a consciência de que a falta de tempo não serve de desculpa para deixarmos de escutar a história que os doentes contam. De fato, muitos deles se perdem com informações irrelevantes, embaralham queixas, sintomas e, se lhes perguntamos quando surgiu a dor nas costas, respondem que foi no casamento da sobrinha. Nesses casos, o médico competente é capaz de assumir com delicadeza o comando do interrogatório de forma a torná-lo objetivo e exequível num tempo razoável.

 

TEXTO II

              A relação médico-paciente, considerada uma coisa importante e quase sagrada desde os tempos de Hipócrates, está em franca degeneração, e não só no Brasil. Isso é muito ruim para tudo e para todos: sofre a qualidade da assistência médica, sofre a ética, mas sofre, principalmente, a própria eficácia da terapia; uma vez que está amplamente demonstrado que o simples fato de o paciente acreditar e confiar no médico é meio caminho andado para que ela ocorra.

 

TEXTO III

              Aforismo*, frequentemente atribuído a Hipócrates, define o compromisso do médico para com os doentes e foi consagrado como divisa da própria medicina: curar algumas vezes, aliviar frequentemente, consolar sempre.

* Aforismo: sentença ou princípio de alcance moral

            

             Com base nos textos da coletânea e em seus conhecimentos, elabore um texto dissertativo sobre o tema A RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NOS TEMPOS APRESSADOS DA ATUALIDADE

 

 

5.  UNAERP – VESTIBULAR 2012 – Instrução geral: Escolha um dos temas (A ou B)

 

TEMA A – ÉTICA MÉDICA

 

Texto 1 – O Novo Código de Ética Médica prescreve:

Art. 1° – A Medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e deve ser exercida sem discriminação de qualquer natureza.

Art. 2° – O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional.

Art. 9° – A Medicina não pode, em qualquer circunstância, ou de qualquer forma, ser exercida como comércio.

É vedado ao médico:

Art. 69° – Exercer simultaneamente a Medicina e a Farmácia ou obter vantagem pelo encaminhamento de procedimentos, pela comercialização de medicamentos, órteses, próteses ou implantes de qualquer natureza, cuja compra decorra de influência direta em virtude de sua atividade profissional.

           

Texto 2 – Médico não é garoto-propaganda

Em artigo, publicado na Folha de S. Paulo, em 12.03.12, o médico Cid Velloso, ex-reitor da UFMG e presidente da Associação Médica de Minas Gerais, discute a relação médicos e indústrias farmacêuticas, criticando a postura do Conselho Federal de Medicina de corrigir o artigo 69 do Código de Ética da profissão. Segundo ele, o novo texto permite ao médico receber vantagens por procedimentos adotados ou pela influência que possa exercer sobre o consumo. A mudança decorre do fato de o CFM não conseguir “conter a pressão dos laboratórios e de determinado segmento de médicos”. Dr. Velloso qualifica como “subterfúgios de ética duvidosa e às vezes ilegais: viajar à custa de laboratórios, sonegar imposto de renda em conluio constrangedor com os pacientes (‘com recibo ou sem recibo?’), cobrar ‘por fora’ em convênios de planos de saúde, receber percentual para colocar próteses.”

 

Texto 3 – Os médicos e a indústria farmacêutica

[...] alguns questionamentos têm sido levantados sobre a influência da indústria farmacêutica no resultado de muitos desses estudos, já que esta é financiadora de boa parte da pesquisa científica mundial, bem como divulgadora da ciência, financiadora dos espaços de atualização dos médicos (como congressos, simpósios) e, ao mesmo tempo, grande interessada na venda dos medicamentos que desenvolve. [...]

 

● Com base nas informações acima, posicione-se e elabore um texto argumentativo sobre o tema proposto.

 

TEMA B – PRECONCEITO CONTRA OBESOS

 

Texto 1 – Por que o mundo odeia as gordas. Silvana Tavano. Revista Marie Claire, No. 181, abril de 2006. (adap.)

De todas as formas de discriminação, a que ronda as mulheres gordas talvez seja a mais perversa. Atitudes racistas ou homofóbicas são publicamente condenáveis. Por outro lado, parece que não há nada de errado em fazer piadas de mau gosto sobre a aparência dessas pessoas [gordas]. Diferente do negro e do gay, o gordo raramente é poupado de comentários sobre o fato de ter emagrecido ou não – como se isso fosse o equivalente a ter mudado a cor dos cabelos. O preconceito aparece em diversas situações, como mostra a pesquisa realizada com 9.405 leitoras da revista Marie Claire. No caso da mulher, a gorda é “simpática” ou, no máximo, “tem um rosto bonito”. Se quiser andar na moda, tem que fazer roupa sob medida porque o GG não costuma frequentar as araras dos bons estilistas. Se for disputar uma vaga de trabalho, precisa torcer para que nenhuma magra queira o mesmo posto. E, se resolver malhar na academia, vai ter que superar a incômoda sensação de que é o centro das atenções. Porque o mundo não perdoa quem está fora das medidas.

Moda X Tamanho GG: Na temporada de desfiles de 2005, o estilista John Galliano escolheu apenas tipos fora do padrão para mostrar sua coleção – gordinhas, anãs, esqueléticas, gente mais velha e mais nova, mostrando que o mundo abriga muitas variedades além das modelos altas e magérrimas. Isso não significa, porém, que os dias da ditadura estética estejam contados. “O que se vende é a imagem da modelo esbelta ou da gostosona da novela. O mercado muitas vezes é cruel, assim como é da natureza humana a exclusão de determinado grupo”, diz a estilista mineira Graça Ottoni. Para ela, fazer roupas para mulheres gordas é difícil, assim como para qualquer um que fuja do padrão. “Trabalhamos em série. Uma pessoa muito alta ou muito baixa também deveria ter uma roupa feita sob medida”, afirma a estilista, que confecciona até o número 46. O estilista Lino Villaventura já criou até vestido de noiva para uma cliente com mais de 100 quilos. “Mas é complicado confeccionar em grande escala por causa das proporções. Tem quem seja mais cheinha nos quadris; para outras, o problema está no busto. A modelagem não pode ser padronizada”, diz Lino. Há, ainda, outro motivo: segundo ele, as próprias mulheres não gostam de ver roupas enormes na loja. “Mesmo quem é gordinha quer vestir roupa de magra. O preconceito não é declarado, mas existe, como no caso dos negros, dos nordestinos e tantos outros grupos.”

Pressão pós-gravidez: O medo de ser taxada de gorda ronda as mulheres também durante a gravidez, um período em que as curvas generosas poderiam ser encaradas com mais condescendência. Segundo o ginecologista Renato Kalil, de São Paulo, uma mulher não perde mais do que 5 quilos assim que o bebê nasce – o restante vai exigir dieta e exercícios. Para as grávidas famosas, aliás, a pressão para entrar logo no jeans é ainda maior. A atriz Nívea Stelmann, de 31 anos, nunca havia se preocupado com o peso, até engordar 6 quilos nos primeiros três meses da gravidez. Foi quando decidiu prestar mais atenção na dieta. “Eu me irritava porque os figurinos da novela ficavam apertados. Além disso, tinha de lidar com a falta de delicadeza das pessoas que não pensavam duas vezes para dizer que eu tinha engordado muito ou para mencionar o meu 'bochechão’. Chorei muitas vezes.” Nívea engordou 14 quilos no total. [...] a atriz voltou à malhação e fez drenagem linfática. “Com tudo isso e a amamentação, perdi peso rapidamente.

E passei a ouvir: 'Que incrível, como você está magra!'. Poucos me perguntaram se eu estava me saindo bem como mãe. A admiração vinha por outro lado. Fazer o quê? O mundo funciona assim.”

 

Texto 2 – Desfile reúne a moda plus size e traz roupas para 'mulheres reais' – Fonte: Site Bol. 2012.

Aconteceu em São Paulo a oitava edição do “Mulheres Reais Fashion Show”, evento de moda que reúne as principais grifes plus size do país. Com mais de 30 modelos na passarela – do manequim 46 ao 52 – os desfiles contaram com looks de marcas como Melinde, Julia Moda, Xica Vaidosa, Mania Brasil, Maricota e AcquaLua. São estilos casuais, vestidos de festa e moda praia feitos sob medida para o público GG.

O evento teve a participação de algumas das mais famosas modelos plus size do país, como Carla Manso (atual Miss Plus Size Mulheres Reais), Talita Kobal, Andrea Boschim e Monica Casareggio. As roupas apresentadas fazem parte da coleção outono/inverno.

Ignoradas pela indústria fashion até pouco tempo atrás, as gordinhas passaram a ser tratadas com mais atenção pelos criadores de moda. Afinal, o Brasil não é um país de magras. As mulheres plus size representam a maior parte da população feminina e formam uma parcela fundamental da economia.

“Nosso objetivo é mostrar que a mulher com silhueta maior pode ser elegante e ter estilo próprio. A maioria das brasileiras veste a partir do 46 e tem dificuldade em encontrar roupas que valorizem suas curvas. A indústria precisa dar mais atenção a essas consumidoras. Afinal, toda mulher é apaixonada por moda, independentemente do peso”, afirma o diretor do evento, Adilton Amaral.

 

● Com base nas informações acima, posicione-se e elabore um texto argumentativo sobre o tema proposto.

 

 

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